Outubro Rosa, uma conscientização que vale para o ano todo.

O câncer de mama é um tumor maligno que se desenvolve no interior dos seios, quando as células do organismo desenvolvem características anormais e se multiplicam de maneira acelerada, atacando células saudáveis do corpo. No Brasil, é responsável por 28% do total de casos de câncer, com quase 58 mil novos diagnósticos a cada ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA).

E um problema recente em nosso país é que o câncer de mama está aparecendo em mulheres cada vez mais jovens, graças à falta de cuidado e prevenção. Quanto mais cedo se descobre um câncer, maiores são suas chances de cura, que no caso do câncer de mama, pode chegar a até 95%. Por isso, ações como o Outubro Rosa são fundamentais para levantar a bandeira da conscientização em toda a população.

Isto porque apesar de ser mais comum em mulheres, o câncer de mama também atinge, em menor quantidade, os homens, fazendo desta campanha um verdadeiro movimento que une a todos em uma só voz: prevenção também é saúde. Este movimento surgiu nos anos 90 nos Estados Unidos, e tornou-se um marco da conscientização e compartilhamento de informações sobre o câncer, proporcionando mais acesso aos serviços de diagnóstico a fim de reduzir sua mortalidade.

CAUSAS

Como diversas doenças, não é possível prever como o câncer de mama irá aparecer. Características como idade, hereditariedade, fatores endócrinos, comportamentais e ambientais podem influenciar o surgimento da doença, assim como a idade. Este câncer é mais comum em mulheres acima de 50 anos, mas casos em pessoas abaixo dos 40 anos já não são mais tão raros como antigamente.

Um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde em parceria com o Inca indica fortes evidências entre o excesso de peso e o desenvolvimento do câncer de mama, pois carnes processadas e conservantes chegam ao estômago e transforma-se em substâncias cancerígenas, aumentando a possibilidade do surgimento da doença.

SINTOMAS

Como diversas doenças, o câncer de mama apresenta alguns indícios que podem ser facilmente identificados pela própria paciente, como um nódulo (caroço) fixo, endurecido e na maioria das vezes indolor; pele da mama avermelhada, retraída ou com aparência de casca de laranja; alterações nos mamilos; pequenos nódulos na região abaixo dos braços ou no pescoço; e saída espontânea de líquidos dos mamilos. Vale ressaltar que mesmo o autoexame sendo muito importante para o descobrimento de um câncer de mama, ele não substitui em hipótese algum o diagnóstico médico.

Em alguns casos, estes sintomas podem indicar alguma doença benigna da mama, como mastalgia (dor mamária) e fibroadenoma, e não necessariamente um câncer de mama; neste caso, o autoexame é o primeiro passo, que deve ser complementado por um diagnóstico completo feito por um médico devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina.

Dados do Núcleo de Pesquisa Epidemiológica da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA mostram que em 62,2% dos casos, os primeiros indícios da doença foram percebidos pelas próprias mulheres, que identificaram alterações na região da mama, o que comprova e reforça importância do autoexame para a sua prevenção.

Realizar o autoexame é simples e fácil:

  • Fique de pé em frente a um espelho, no banho, ou se preferir, deitada;
  • Observe o tamanho, forma e a cor das mamas;
  • Deixe os braços abaixados e depois levante-os, observando a região das mamas para qualquer movimentação anormal;
  • Levante um dos braços e coloque sua mão atrás da cabeça. Com o outro braço, apalpe cuidadosamente a mama do lado levantado com movimentos circulares. Faça isso em ambos os lados;
  • Aproveite também para pressionar, levemente, os mamilos, percebendo se acontece saída de algum líquido.

O diagnóstico final do câncer de mama, no entanto, exige mais alguns passos. Após a mulher constatar alterações na região das mamas em um autoexame, é necessário um exame clínico e uma mamografia, para ter certeza do tamanho, localização e se o tumor é benigno ou maligno. Também podem ser realizados exames como ultrassom de mama e ressonância. A mamografia é um procedimento recomendado a mulheres de 50 a 69 anos e que deve ser realizado a cada dois anos.

O diagnóstico de câncer de mama só é considerado conclusivo após a realização de uma biópsia da área analisada, quando pedaços do tumor são extraídos com o auxílio de agulhas em uma pequena cirurgia e verificados por um médico patologista.

DIAGNÓSTICO E TRATAMENTOS

Quando o diagnóstico é feito de maneira precoce, as chances de cura ultrapassam os 95%. Já nos casos onde existem evidências de metástases, fase em que o tumor se espalha para outras regiões e órgãos do corpo, o foco do tratamento é prolongar e melhorar a qualidade de vida da paciente. Existem dois tipos de tratamentos:

  • Local, composto por uma cirurgia para a retirada do tumor, além de radioterapia. Após, pode ser feita uma reconstrução mamária, que utiliza implantes de silicone, expansores cutâneos ou ainda transferência de retalhos de pele para reconstruir a forma dos seios;
  • Sistêmica, que consiste em quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.

O estágio de desenvolvimento do câncer de mama é dividido em estádios:

  • Estádio 0 – quando a doença é restrita ao local onde começou;
  • Estádios I e II – a doença já teve progressão, com tamanho máximo entre 2 cm e 5 cm. A cirurgia pode ser conservadora, retirando apenas o tumor do local, ou mais completa, com uma mastectomia, que retira completamente a mama afetada pela doença, seguida de uma reconstrução mamária. Após o procedimento cirúrgico, é recomendado à paciente participar de sessões de radioterapia;
  • Estádio III – a doença já teve progressão, com tamanho acima de 5 cm. A modalidade inicial de tratamento é sistêmico, com quimioterapia, para impedir o avanço do tumor. Após sua estabilização e dependendo da resposta da paciente, o tratamento tem sequência com a realização de cirurgia e quimioterapia;
  • Estádio IV – a doença já se espalhou, atingindo outras regiões e órgãos do corpo, como os pulmões. Nesta fase de progressão do câncer de mama, é fundamental encontrar o equilíbrio entre a resposta tumoral e o possível prolongamento da sobrevida, considerando os potenciais efeitos colaterais do tratamento. A modalidade principal nesse estádio é a sistêmica, com o tratamento local sendo reservado para indicações restritas.

Além do tratamento convencional, receber a notícia de possuir um câncer de mama pode abalar a autoestima, a qualidade de vida e o bem-estar, diminuindo sua expectativa de vida e impactando diretamente em sua alegria e vontade de viver. Por isso, além do tratamento convencional para curar a doença, em alguns casos o apoio psicológico também fará uma grande diferença para entender, passar e superar por esta difícil fase na vida de qualquer pessoa.

O INCA criou a cartilha Câncer de Mama: é preciso falar disso, que desmistifica alguns mitos e dá as primeiras orientações para pessoas interessadas em saber mais sobre a doença, sejam elas portadoras ou não. Em caso de dúvidas, você pode ligar para o Disque Saúde do Ministério da Saúde, pelo telefone 136. Já aqui no Rio Grande do Sul, é possível entrar em contato com o Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (IMAMA), uma organização sem fins lucrativos que ajuda as pessoas a não passarem pelas mesmas dificuldades que as mulheres fundadoras do grupo tiveram, conscientizando e enfatizando a comunidade da importância da detecção precoce, além de promover a agilidade e qualidade em todos os processos da rede de atenção à saúde da mama.

SUPERAÇÃO PARA UMA NOVA VIDA

Como vimos, as chances de se recuperar completamente de um câncer de mama são muito altas, especialmente se a sua detecção é precoce. Mas após esta fase de superação, é preciso voltar a ter confiança para conviver em sociedade. Isto porque o câncer de mama afeta diretamente a feminilidade, com perda de cabelos em função de tratamentos de quimioterapia, além de casos onde a mama é removida.

Para isso, hoje existem diversos procedimentos e recursos que facilitam essa aceitação pessoal. Para os cabelos, o uso de perucas é muito recomendado, pois recentemente o mercado deixou de ser visto apenas como uma reabilitação para a perda de cabelo, mas sim uma vitrine da moda, com diversos modelos, cores, comprimentos e tons. Já a reconstrução física depende de processos cirúrgicos, que podem ser realizados após a recuperação completa do câncer de mama.

Tudo isso contribui para que as pacientes que superam esta doença consigam viver novamente com alegria, fazendo do câncer de mama um divisor de águas para uma vida ainda melhor.

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