Outubro Rosa: conhecendo os sintomas e o diagnóstico do câncer de mama

O movimento que hoje é mundialmente conhecido como Outubro Rosa nasceu na década de 90, nos Estados Unidos, a fim de estimular a participação da população no controle do câncer de mama. A data é celebrada anualmente, já que é fundamental compartilhar informações sobre o câncer, promover a conscientização sobre a doença e proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico. Acesso que contribui para a redução da mortalidade. Segundo o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva, o INCA, a estimativa é de 57.960 novos casos de câncer de mama ao longo deste ano no Brasil. Câncer de mama que é o tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma –  homens também podem sofrer com tal doença, embora seja muito raro.

CAUSAS E SINTOMAS DO CÂNCER DE MAMA

O câncer de mama não possui uma única causa. Muitos fatores estão relacionados ao aumento do risco de desenvolver tal doença, como: idade, fatores endócrinos/história reprodutiva, fatores comportamentais/ambientais e fatores genéticos/hereditários. A idade também contribui, uma vez que mulheres a partir dos 50 anos são as mais propensas a desenvolver a doença. O acúmulo de exposições ao longo do tempo, as próprias alterações biológicas que ocorrem com o envelhecimento também colaboram para o aumento do risco.

Os principais sinais e sintomas do câncer de mama são: caroço (nódulo) fixo, endurecido e, geralmente, indolor; pele da mama avermelhada, retraída ou parecida com a casca de uma laranja; alterações no bico do seio, o mamilo; pequenos nódulos na região embaixo dos braços, as axilas, ou no pescoço e saída espontânea de líquido dos mamilos. Tais sintomas, no entanto, podem não indicar câncer de mama necessariamente, podendo estar relacionados a doenças benignas da mama.

DIAGNÓSTICO COMEÇA NO CONHECIMENTO DA PRÓPRIA MAMA

Um fator primordial para o diagnóstico do câncer de mama é o conhecimento das próprias mamas. Um levantamento inédito feito pelo INCA com pacientes do Instituto revelou que as próprias mulheres, na maioria dos casos, identificam os sintomas do câncer, levando em consideração a doença no estágio inicial e intermediário, quando as chances de sobrevida são maiores.

Os dados foram revelados no último dia 6, quando ocorreu o lançamento oficial da campanha nacional que marca o Outubro Rosa 2016, cujo tema é: “Câncer de mama: vamos falar sobre isso?“, na sede do INCA, no Rio de Janeiro. A doença foi percebida pela primeira vez em 62,2% dos casos pelas próprias pacientes ao notarem alterações na mama. O estudo foi conduzido pelo Núcleo de Pesquisa Epidemiológica da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA e com mulheres que procuraram atendimento devido ao câncer de mama entre junho de 2013 e outubro de 2014.

– É importante que as mulheres notem as mensagens enviadas pelo próprio corpo para que a doença seja descoberta no início destacou a médica epidemiologista – destacou Liz Almeida, chefe da Divisão de Pesquisa Populacional do INCA.

A orientação atual destaca a necessidade de a mulher realizar a autopalpação das mamas sempre que se sentir confortável para tal procedimento, o que pode ser durante o banho ou no momento da troca de roupa, por exemplo. Identificar tais alterações é importante, mas não indica necessariamente a existência de câncer. É fundamental procurar atendimento para uma avaliação diagnóstica.

O DIAGNÓSTICO DO CÂNCER DE MAMA

O diagnóstico de câncer de mama somente é considerado conclusivo com uma biópsia da área analisada, quando pedaços do tumor (extraídos em uma pequena cirurgia ao através de agulhas) são verificados por um médico patologista. A biópsia, no entanto, é realizada quando são cumpridas certas etapas. Após alterações suspeitas na mama, como as já citadas, é realizado um exame clínico na mama e, na sequência, um exame de imagens, como a mamografia. Além da mamografia, outros exames podem ser realizados, como um ultrassom de mama e uma ressonância. Tais exames não substituem a mamografia, apenas auxiliam durante o processo.

A mamografia precisa ser realizada a cada dois anos entre mulheres de 50 até 69 anos, sendo essa uma recomendação no Brasil e que foi atualizada em 2015. Tal rotina também é adotada na maior parte dos países que implantaram o rastreamento do câncer de mama e tiveram impacto na redução da mortalidade por essa doença específica. Mulheres com mais de 40 anos podem se submeter a tal exame como precaução, ampliando a possibilidade de qualquer problema em um futuro próximo.

O câncer de mama, o mais comum entre mulheres no Brasil e no mundo, após o de pele não melanoma, possui diversos tipos de tratamentos. Tipos que dependem do estadiamento da doença, de suas características biológicas e também das condições da paciente em questão. Uma das certezas é que importantes avanços na abordagem do câncer aconteceram nos últimos anos, com destaque para cirurgias menos mutilantes. Saiba como é o tratamento em cada estadiamento da doença. Doença que, de acordo com o INCA, o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva, será diagnosticada em mais de 57 mil pacientes até o fim deste ano no Brasil.

Os tipos de tratamento contra o câncer de mama e a mastectomia

O prognóstico do câncer de mama depende da extensão da doença e das características do tumor. Quando a doença é diagnosticada no início, a potencial de cura do tratamento é maior. Já quando existem evidências de metástases (fase em que o tumor se espalhou para outros órgãos do corpo), o foco do tratamento é prolongar e melhorar a qualidade de vida da paciente. São duas as modalidades de tratamento: tratamento local, que consiste em cirurgia e radioterapia, além da reconstrução mamária e o tratamento sintêmico, que consiste em quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica.

ESTÁDIOS I e II

A conduta nesses estadiamentos consiste de cirurgia, que pode ser conservadora (apenas a retirada do tumor) ou a mastectomia, em que a mama é retirada, seguida da reconstrução mamária – reconstrução que sempre é indicada em casos de mastectomia. Após a cirurgia, um tratamento complementar de radioterapia é recomendado em algumas situações. O tratamento sistêmico é determinado de acordo com risco de recorrência (idade da paciente, comprometimento linfonodal, tamanho tumoral e o grau de diferenciação), além das características tumorais que garantirão a terapia mais indicada.

ESTÁDIO III

Tumores maiores, mas ainda localizados, se enquadram no estádio III. Em tal situação, o tratamento sintêmico (na maioria das vezes com quimioterapia) é a modalidade terapêutica inicial. Após resposta adequada, a sequência do tratamento inclui cirurgia e radioterapia.

ESTÁDIO IV

O fundamental para pacientes no estádio IV, quando o câncer de mama chegou ao estágio de metástases, se espalhando pelo corpo, é a busca pelo equilíbrio entre a reposta tumoral e o possível prolongamento da sobrevida, considerando os potenciais efeitos colaterais do tratamento. A modalidade principal nesse estádio é sistêmica, com o tratamento local sendo reservado para indicações restritas.

A MASTECTOMIA

A mastectomia é uma cirurgia de retirada total ou parcial da mama. São modalidades da mastectomia: mastectomia simples ou total, com a retirada da mama com pele e complexo aréolo-papilar; mastectomia com preservação de um ou dois músculos peitorais acompanhada de linfadenectomia axilar (radical modificada); mastectomia com retirada do(s) músculo(sa) peitoral(is) acompanhada de linfadenectomia axilar (radical); mastectomia com reconstrução imediata e mastectomia poupadora de pele.

A mastectomia deve ser indicada para a retirada de tumores iguais ou maiores que três centímetros. As técnicas que preservam um ou ambos os musculosa são as mais empregadas, uma veza que asseguram resultados semelhantes à mastectomia radical, facilitam a reconstrução mamária e reduzem a morbidade. É importante ressaltar que a escolha da técnica empregada depende dos achados intra-operatórios, das circunstâncias clínicas e da idade da paciente.

A paciente mastectomizada precisa cumprir diversas orientações no pós-operatório para evitar qualquer tipo de problema. O local operado e a outra mama (quando as duas mamas não forem retiradas) precisam ser examinados mensalmente. É fundamental ter cuidado com o dreno de sucção colocado após a cirurgia e com os curativos, que precisam ser trocados diariamente. Após a cicatrização da ferida, a pele deve ser hidratada com cremes específicos e próteses externas só devem ser utilizadas com orientação médica.

Reconstrução mamária, a alternativa para devolver a autoestima para mulheres mastectomizadas

Câncer mais comum entre mulheres no Brasil e no mundo após o de não melanoma, o câncer de mama pode ter como resultado a mastectomia, cirurgia de retirada total ou parcial da mama. E, nesses casos, a reconstrução mamária é a alternativa para devolver a autoestima para mulheres mastectomizadas. Reconstrução mamária que é um direito adquirido por lei. Confira os tipos de reconstrução existentes. E, por conta do Outubro Rosa, esta semana é a de Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária, coordenado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

A remoção da mama por conta do câncer sempre gera reflexos psicológicos na mulher, uma vez que os seios são um dos maiores símbolos da feminilidade, estando ligados à sexualidade e à maternidade. A reconstrução mamária é, portanto, fundamental para a recuperação da autoestima dessa mulher.

A escolha pela técnica que será utilizada na reconstrução depende de uma avaliação minuciosa e, também, da quantidade de tecido removido durante a mastectomia e da sua localização. As mais comuns são as que fazem uso dos próprios tecidos da mama, com o reposicionamento que preenche os espaços vazios gerados pela retirada do câncer. São chamados de retalhos associados ou não à mamoplastia.

PRÓTESE DE SILICONE

A reconstrução que faz uso de implantes de silicone ocorre quando a paciente em questão não possui tecido suficiente para que ocorra a reconstrução. Tal técnica é a mais indicada, sempre após avaliações, em casos de mastectomia em que não é retirada grande quantidade de pele, para que seja possível garantir uma boa forma ao implante escolhido. É, também, a técnica mais comum durante a mesma cirurgia para o tratamento do câncer em si.

EXPANSORES

O uso do expansor cutâneo garante a possibilidade de reconstrução dos tecidos com semelhança de cor e textura, sem garantir novas cicatrizes. O expansor é semelhante a uma prótese vazia, que é colocado sob a pele e, geralmente, inflado com soro fisiológico até alcançar o tamanho semelhante à mama que se deseja produzir. Em uma segunda intervenção, o expansor é retirado e substituído pelo implante definitivo, que, na maioria dos casos, é colocado abaixo do músculo peitoral. E como forma de diminuir o número de cirurgias, já existem no mercado próteses que são expansoras definitivas.

TRANSFERÊNCIA DE RETALHOS DE PELE

Nesta técnica, um segmento de pele e tecido gorduroso (geralmente retirado da região abdominal ou dorsal) é levado ao local operado. É feita uma cirurgia no abdômen, com o tecido dessa região sendo utilizado para a reconstrução através de um túnel abdominal ou de um transplante com microcirurgia.

O retalho é um tecido retirado de uma região do corpo e transferido do corpo e transferido para outra região, que permanece preso ao seu lugar original através de um pedículo, que leve a vascularização necessária para que este tecido não morra.

Os tipos mais comuns de procedimentos envolvendo retalhos de pele são: retalho miocutâneo do músculo reto abdominal, retalho do músculo grande dorsal e retalho DIEP (retalho perfurante da artéria epigástrica).

MUTIRÃO DE RECONSTRUÇÃO MAMÁRIA

A semana é de Mutirão Nacional de Reconstrução Mamária, coordenado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Entre os dias 24 e 29 deste mês, a expectativa é que cerca de 840 mulheres que passaram por mastectomia sejam atendidas gratuitamente por cirurgiões plásticos para a realização do procedimento. Mutirão que conta com a participação de mais de 800 profissionais da área.

– O mutirão devolve a essas pacientes a autoestima. Estudos mostram que as mulheres reconstruídas têm menor chance de reincidir no câncer porque essas doenças estão relacionadas à produção de endorfina e ao equilíbrio emocional. Mulheres mastectomizadas são mais deprimidas, mutiladas, tristes. Mulheres reconstruídas retomam seu relacionamento afetivo, encontram um ponto de equilíbrio psicoafetivo e uma melhora do humor e do estado depressivo – destacou Luciano Chaves, presidente da SBCP, à Agência Brasil.

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